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A Indisciplina é Contra-Revolucionária


NO FINAL DO ANO PASSADO FIZ UMA LEITURA QUE ME DEIXOU MUITO SENSIBILIZADA E QUE ACREDITO DEVA SER LEITURA OBRIGATÓRIA PARA TODOS AQUELES QUE ALMEJAM UMA SOCIEDADE TRANSFORMADA, PARA TODOS AQUELES QUE BUSCAM A MUDANÇA... O NOME DO LIVRO É A MÃE E O SEU AUTOR É MAXIMO GORKI

          

O romance Mãe é considerado um dos trabalhos mais importantes do escritor revolucionário russo Máximo Gorki. Escrito em 1907, quanto o autor encontrava-se refugiado em Staten Island com sua mulher, o romance começa descrevendo os hábitos e a vida das pessoas num típico bairro operário russo, para logo depois se dedicar à história de uma das famílias.
Logo nos primeiros capítulos do romance o chefe da família, Mikhail Vlassov morre, deixando Peláguea Nilovna viúva e o jovem Pavel órfão. Sua morte, no entanto, não causa grande comoção entre os familiares e nem mesmo entre os vizinhos e companheiros do bairro onde morava, uma vez que o velho tinha hábitos rudes e grotescos, principalmente com Peláguea e Pavel, com quem não falava há mais de dois anos. “(...) Mikhail Vlassov, serralheiro, cabeludo, sóbrio, que, com seus olhos pequenos, sob grossas sobrancelhas, olhava com desconfiança e escárnio. O melhor serralheiro da fábrica e o mais forte e temido do bairro operário, era grosseiro com seus superiores e, por isso, ganhava pouco; aos feriados sempre surrava alguém e todos o temiam e detestavam”.
Livre dos pesadelos da vida doméstica com seu marido, Peláguea Nilovna passa a observar melhor o comportamento de seu filho Pavel. Logo percebe que seus hábitos não são iguais aos dos outros jovens do bairro, que não freqüenta as festas nem consome álcool em demasia, mas mesmo assim permanece um grande tempo fora de casa. A mãe chega a formular diversas hipóteses para justificar a ausência constante do filho, porém descarta todas elas. Certo dia, após o jantar, Pavel encosta-se num canto e sob a luz do lampião começa a ler um livro, a mãe se aproxima dele em silêncio, e então o filho revela: “Estou lendo livros proibidos. São proibidos, porque dizem a verdade sobre nossas vidas de operários...”. Subitamente a mãe sente um aperto no coração e então Pavel explica-lhe pacientemente tudo o que já havia aprendido sobre a vida dos operários e diz-lhe que em breve alguns de seus amigos da cidade virão até a casa, para que se realize uma reunião.
A partir daí, passam a ser realizadas reuniões constantes na casa de Pavel, que no início causam grande temor a mãe, que com o passar do tempo acalma-se e passa a sentir uma grande simpatia pelos companheiros de seu filho. O grupo organizado por Pavel passa a atuar nas fábricas do bairro, são distribuídos panfletos e chegam até mesmo a organizar uma greve. Tudo isso, numa época em que a repressão do governo czarista era enorme. Por essas ocasiões, Pavel chegou a ser preso, porém não demorou muito a ser solto novamente. Durante o tempo de retenção de seu filho, Nilovna passou a cooperar mais ativamente com o grupo de jovens que se organizava no bairro, tendo inclusive, disfarçada de vendedora de comida, infiltrado diversas edições de panfletos nas fábricas, passando com muita esperteza e facilidade pela vigilância dos guardas e patrões.
Às vésperas da manifestação do 1º de Maio de 1902 na Rússia, um acontecimento real retratado no livro, a mãe já havia adquirido uma compreensão sobre a importância da atividade do filho, chegando a ajudar nos preparativos para a manifestação no bairro, que contou com panfletos e cartazes, e também uma boa organização para escapar da vigilância da polícia czarista. “Os manifestos, conclamando os operários a festejar o Primeiro de Maio, eram pregados nos muros e paredes todas as noites; apareciam, até, na porta da delegacia, e eram encontrados, diariamente, na fábrica. Todas as manhãs, policiais, enfurecidos, percorriam o bairro, arrancando e raspando os cartazes roxos das paredes, mas, à hora do almoço, eles voltavam a voar pelas ruas, caindo aos pés dos transeuntes”.
A manifestação do Primeiro de Maio foi um sucesso no bairro, reunindo uma multidão de operários, sob o comando do grupo de Pavel, que foi um dos líderes que mais se destacou. Nesse momento, o grupo se identifica pela primeira vez no livro como integrante do Partido Operário Social Democrata Russo.
Com o avanço da passeata, em determinada rua do bairro ela se encontra com um batalhão de policiais, mas não deixa de avançar. Aos poucos a multidão começa a se dispersar, mas os líderes da manifestação seguem em frente até entrar em choque com a polícia. Resulta do confronto a prisão de Pavel e todos os seus companheiros, incluindo o ucraniano Andrei, que há algum tempo estava morando em sua casa e havia adquirido uma grande amizade com a mãe. À prisão seguiu-se um ato de protesto em que Nilovna tomou parte principal discursando não apenas em favor de seu filho, mas demonstrando já um conhecimento da causa a que ele servia.
Temerosos de que houvessem retaliações à mãe de Pavel, que encontrava-se sozinha em casa depois de sua prisão, seus companheiros do partido levaram Paláguea para morar na cidade, pois a polícia já havia invadido e revistado sua casa em duas ocasiões anteriores e desta vez ela mesma poderia ser levada presa.
A partir daí então, a mãe foi morar na casa de um militante chamado Nicolai, passando a trabalhar cada vez mais pelo partido, sendo responsável principalmente pelo transporte de jornais, panfletos e manifestos, principalmente para os camponeses, tornando-se com o passar do tempo, uma verdadeira militante.
A obra retrata com fidelidade a agitação social em que a Rússia estava submersa no começo do século, o inicio do movimento político no bairro operário, de uma forma que apenas um profundo conhecedor da cultura, dos falares, das gírias e costumes do povo russo, como Gorki, poderia realizar, fazendo despertar um profundo entusiasmo através da história da vida de Pelaguéa Nilovna, a Mãe.



Escrito por sem_perder_a_ternura às 08h22
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ABAIXO VAI UMA DESCRIÇÃO SOBRE GORKY...

MÁXIMO GORKI (1868-1936)


Máximo Gorki (gorki em russo significa amargo) foi o pseudônimo de Aleksei Maksímovich Peshcov, que nasceu em uma pequeno lugarejo do interior da Rússia, rebatizado como Gorki, em 1932, por ordens de Stálin. O escritor estava então no apogeu de sua glória literária. Contudo, para chegar a esta posição, Gorki passara por um conjunto de experiências humanas de alta dramaticidade. Filho de uma família muita humilde, ficou órfão aos sete anos e, a partir daí, foi obrigado a trabalhar para prover o próprio sustento. Exerceu vários ofícios, atravessando a vasta região do Volga em busca de oportunidades. Desenvolveu uma espécie de espírito de andarilho, em que a curiosidade e a simpatia pela humanidade sofredora lhe permitiu a sobrevivência psicológica em meio a tantas dificuldades. Com isso adquiriu também um notável conhecimento das camadas populares russas, conhecimento que seria usado mais tarde na criação dos principais protagonistas de seus contos e romances.

Ao mesmo tempo em que vagava pelo imenso país, Gorki revelava grande interesse pela leitura, tornando-se um autodidata, isto é, um jovem de surpreendente cultura, apesar de ter freqüentado a escola primária somente por uns poucos meses. Sua inteligência, contudo, não impediu que atormentado pela luta da sobrevivência, pela infelicidade pessoal e pela solidão, tentasse o suicídio. A literatura, no entanto, o salvou. Pôs-se a escrever obsessivamente, e seus primeiros contos foram publicados a partir da década de 1890, obtendo grande repercussão. Sobre esta época de sua vida, deixou um comovente texto de memórias que é a sua obra-prima: Ganhando meu pão. Suas memórias continuaram em Minhas universidades, igualmente fascinantes, mas sem a mesma beleza poética do primeiro livro.

Logo a seguir, Gorki aderiu ao marxismo e militou em inúmeros grupos revolucionários. Em 1905, após o fracasso da primeira revolução que pretendia derrubar o Czar, acabou preso. No ano seguinte, porém, sob fortíssima pressão da comunidade internacional, as autoridades russas foram obrigadas a libertá-lo. Gorki viajou então para a Itália, onde morou até o triunfo da Revolução Soviética, em 1917. Apesar de sua amizade com Lênin, o escritor só retornou definitivamente à Rússia em 1928, transformando-se de imediato na maior figura literária do regime comunista. Sua morte, ocorrida em 1936, despertou suspeitas de envenenamento que nunca foram confirmadas.

A obra de Gorki centra-se no submundo russo. O ficcionista registrou com vigor e emoção personagens que integravam as classes excluídas: operários, vagabundos, prostitutas, gente humilde, homens e mulheres do povo. Autores realistas e naturalistas já tinham incorporado estes setores sociais à literatura, mas olhavam para os pobres de fora, apenas com piedade ou com frieza. Gorki, ao contrário, conhecia aquele universo por dentro – ele próprio era um desses desvalidos – e soube captar o que havia de mais profundo na alma do povo russo. Daí a impressão de autenticidade que suas obras nos transmitem. De certa forma, ele foi o criador da chamada literatura proletária que teve seguidores no mundo inteiro, em especial na primeira metade do século XX. ( Fonte: educaterra.com.br)



Escrito por sem_perder_a_ternura às 08h22
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BEM,pediram pra eu citar as fontes de onde saem tudo isso que escrevo aqui!!!
Alexandre, principalmente pra ti: muitas coisas recebo por e-mail, outras baixo na própria net em blogs de conhecidos, mas tem por aí algumas comunidades no orkut que contribuem pra isso, além da wikipedia a enciclopédia comunitária....

Escrito por sem_perder_a_ternura às 07h57
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